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  • HELIO BARROS

O Mito do Minotauro


Enquanto muitos estão compenetrados em prever o futuro, alguns poucos passam os dias e as horas tentando criar certos tipos interessantes de futuro.


De onde vem a tentação de prever o futuro? Da razão, que é a mais perigosa das emoções. Todo dia, ao acordar, o desejo de controle passa batom e veste sua fantasia de razão. Mas não engana a mim, que sou macaco velho irracional.


Ao percorrer o desafio de um raciocínio lógico, parece mesmo que você previu o futuro, pois partiu de um enunciado inicial para chegar à resposta final.


No entanto, a resposta (final?) já estava lá o tempo todo! Na verdade, você apenas deu uma voltinha no quarteirão para chegar ao mesmo lugar. 


Ora, se a resposta está embutida na pergunta, é óbvio que é possível prever o futuro, tão possível quanto prever o passado.


Foi o que fez Teseu, na Ilha de Creta, ao adentrar o labirinto do Minotauro. Tirou do bolso seu novelo de lã e foi desenrolando ao longo do caminho. Fez o trabalho sujo e, na hora de escapar, bastou enrolar o novelo de novo.


A história começa e termina com o mesmo novelo, completamente enrolado. Nunca houve um futuro narrativo em que Teseu estava perdido/morto ou em que o Minotauro triunfava e se casava com Ariadne.


Muitos chamam a história de O Mito de Teseu. Para mim, é claramente o Mito do Minotauro. Ele (o Minotauro) é o protagonista.


Teseu não precisa fazer nada diferente, que vida de merda. 

Teseu passa sua existência mitológica inteira numa porra de um labirinto que nem labirinto é, pois consegue facilmente enrolar e desenrolar um novelo de lã que transforma o labirinto em um círculo fechado que vai e volta, vai e volta… 


É o falso herói, premiado pela continuidade. Continuidade só capaz de preservar a vida dentro de um arcabouço lógico hermeticamente fechado.


Já o Minotauro morre. Antes de morrer, ele imagina mil diferentes futuros nos quais possa fazer churrasco de Teseu, arrumar uma tesoura para cortar o novelo, espalhar outros novelos por aí, escalar o muro do labirinto, qualquer coisa é melhor do que a morte.


Não à toa, o bom investidor é como o Minotauro diariamente preparado para a morte, imaginando mil alternativas à quebra financeira que resulta do continuísmo de outrem. 


Paranoico demais?


Se você acha que eu sou paranoico demais, devo confessar que isso é só o começo.


Meu ativo mitológico preferido nem é o Minotauro. Tem outro bem mais legal.


A Hidra : (antifragilidade ) , mas isso é assunto pra outra publicação!

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